Publicado 08 Jun 2018

ICMBio

Ararinhas-azuis ganham unidades de conservação

Leitura de 5 min

Três unidades de conservação foram criadas no Dia Mundial do Meio Ambiente

No último dia 5, Dia Mundial do Meio Ambiente, as ararinhas-azuis, espécie mais ameaçadas de extinção no mundo, ganharam duas unidades de conservação na Bahia. O presidente da República assinou os decretos de criação da Área de Proteção Ambiental (APA) da Ararinha-Azul e o Refúgio de Vida Silvestre (Revis) da Ararinha-Azul e mais a Reserva Extrativista Baixo Rio Branco-Jauaperi localizada na Amazônia. Com isso, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) passa a cuidar de 335 unidades de conservação no país.

"A criação das unidades (APA e Revis) é um marco para conservação da ararinha-azul, uma das espécies mais ameaçadas de extinção no mundo e que está extinta na natureza. Além disso, aumenta a proteção do bioma da Caatinga, que é o menos representado em unidades, e um dos mais ameaçados", ressaltou a presidente substituta do ICMBio, Silvana Canuto.

O Refúgio de Vida Silvestre da Ararinha-Azul, com área aproximada 29.986 hectares, e da Área de Proteção Ambiental da Ararinha-Azul, com aproximadamente 89.996 hectares, estão localizados nos municípios de Juazeiro e Curaçá, na Bahia. A proposta de criação em conjunto, constituindo um mosaico de unidades de conservação, visa conciliar os objetivos de conservação de remanescentes de caatinga, o único bioma exclusivamente brasileiro, com o programa de reintrodução da Ararinha-Azul na natureza.

Originária da região de Curaçá, na Bahia, a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) teve sua população dizimada, sobretudo devido ao tráfico de animais, e hoje é considerada extinta na natureza. Existem, atualmente, quase 160 exemplares da espécie, todos em cativeiro. Diante desse quadro, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) publicou em 2012 o Plano de Ação Nacional a Conservação da Ararinha-azul (PAN Ararinha-azul), cujos objetivos são o aumento da população manejada em cativeiro e a recuperação do habitat de ocorrência histórica da espécie, visando à sua reintrodução na natureza.

"Esse foi um grande passo. Agora temos como estabelecer o ICMBio na área, uma equipe permanente no local, fiscalização, educação ambiental e projetos de recuperação do habitat na região, além do envolvimento da comunidade. Somado ao investimento no turismo de observação de aves como fonte alternativa de renda para a comunidade local", ressaltou a coordenadora do PAN Ararinha-Azul, Camile Lugarini.

Coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave/ICMBio), o PAN Ararinha-azul teve como desdobramento a criação do Projeto Ararinha na Natureza, iniciativa que conta com a parceria da Vale e de organizações da sociedade civil sem fins lucrativos, como o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e a Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (SAVE Brasil), além de mantenedores da ararinha-azul dentro e fora do país, que trabalham para viabilizar a reprodução da espécie: a Association for the Conservation of Threatened Parrots (ACTP), na Alemanha; a Al-Wabra Wildlife Preservation, no Catar; os criadouros Fazenda Cachoeira, Nest e a Fundação Lymington, no Brasil.

Reserva Extrativista Baixo Rio Branco - Jauaperi

Com uma área aproximada de 581.173 hectares, a Resex Jauaperi está localizada nos municípios de Rorainópolis e Novo Airão, nos estados de Roraima e Amazonas, e beneficiará mais de 200 famílias. A proposta de criação da Reserva Extrativista Baixo Rio Branco-Jauaperi trata de uma área recoberta pelo bioma amazônico, apresentando grande biodiversidade e alto grau de conservação, e habitada por populações tradicionais, com inestimável valor paisagístico e biológico.

A proposta resulta da iniciativa da comunidade tradicional, e garante o acesso de forma sustentável dos recursos disponíveis na Floresta Amazônica, com o objetivo de destinar esse espaço territorial de relevante interesse ecológico e social à exploração sustentável dos recursos naturais renováveis pelas populações extrativistas que, tradicionalmente, habitam a região. Com a criação da Resex, pretende-se conciliar a proteção ambiental com o desenvolvimento do uso sustentável dos recursos naturais, conservando os modos de vida tradicional das populações tradicionais.

A proposta de criação da Reserva Extrativista do Rio Branco Jauaperi teve início em 2001 com o abaixo assinado dos moradores das comunidades de Xixuaú, Santa Maria Velha, Vila da Cota, Remanso, Itaquera, Floresta e Sumaúma, todas situadas no Estado de Roraima. Naquele momento as sete comunidades eram compostas por aproximadamente 88 famílias e em torno de 380 moradores.

Essa é quarta Resex criada pelo governo federal nos últimos meses. Em abril, foram criadas: as Reservas Extrativistas (Resex) Arapiranga-Tromaí, Baía do Tubarão e Itapetininga. Somando mais de 400 mil hectares, as Resex protegem uma rica biodiversidade, incluindo espécies marinhas, aves ameaçadas de extinção, aves migratórias, áreas de lagos e importantes manguezais. Além disso, as novas reservas beneficiarão mais de 13 mil famílias de pescadores artesanais e agricultores familiares.

Conheça o vídeo da ararinha-azul

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