Publicado 13 Abr 2018

Instituto Ouro Verde

Com ou sem crise, a força e a criatividade mantêm a família agricultora no campo

Leitura de 3 min

Relato de Pesquisa

De junho a agosto de 2017, 30 famílias de agricultores de Terra Nova do Norte, Nova Guarita e Apiacás, no norte do estado de Mato Grosso, nos receberam para uma conversa sobre a história e o destino da agricultura familiar na região. O nosso objetivo principal é colaborar com o fortalecimento do setor, tendo em vista as diversas crises que, ao longo da história, têm ameaçado a permanência das famílias no campo.

Foi com esta orientação que visitamos os lugares mais distantes da zona rural desses municípios. O que encontramos? Famílias dispostas a nos contar a sua história. São histórias de luta que demonstram amor pela terra e cuidado com a floresta, mas também ameaças e violências.

Foram diversas crises relatadas: lavoura, garimpo, madeira... O que manteve as famílias no campo? No município de Terra Nova do Norte foi a opção por produtos diferentes. Encontramos pessoas que produzem farinha e cachaça artesanal, por exemplo, e este diferencial as fortaleceu ao longo do tempo. Outra questão é o amor incondicional pela terra, o que ajudou as famílias a não venderem as propriedades, por valor nenhum.

Em Terra Nova também encontramos a história das Quatro Reservas, onde as pessoas compraram suas terras daquelas que vieram com a frente de colonização, nos anos de 1970/80. A falta de regularização fundiária e escassez de recursos via financiamento colocou em risco a manutenção dessas famílias no campo. E o problema permanece. Está nas mãos da justiça e pode custar caro, principalmente pelos conflitos que podem ser gerados, considerando a disputa por este território.

Em Nova Guarita, a história é semelhante à de Terra Nova. No entanto, lá encontramos pessoas assentadas por projetos de reforma agrária. São famílias que há 12 anos tentam produzir, mas não conseguem, pois sofrem constantes ameaças e violências. Infelizmente, os boletins de ocorrências feitos contra os agressores ainda não ajudaram a controlar os crimes. No Assentamento Raimundo Vieira III é a força e a resistência que mantêm as famílias no campo.

O trabalho do Instituto Ouro Verde (IOV) faz muita diferença nos três municípios. São iniciativas que oferecem novas oportunidades às famílias, sobretudo às mais pobres, mas também às mulheres, que estão felizes por conseguirem contribuir, de forma mais efetiva, com a renda da família. Outros valores estão ganhando espaço na vida da família.

Mas, é em Apiacás que o trabalho do IOV tem feito grande diferença. Ali, o instituto é o embrião da esperança. A história da agricultura familiar, neste município, é bem diferente. Foram crises bem difíceis, que deixaram os produtores vulneráveis e dependentes de outras economias, como o ouro. O que mantem a família no campo? O amor pela terra e a resistência na superação das dificuldades.

De tudo, tiramos uma lição: a terra é vida para as famílias agricultoras, e a força e a criatividade lhes dão resiliência. Em termos produtivos, a diversificação da produção, ou seja, a incorporação de novas atividades, como a coleta de sementes florestais, o pequi, o melado da cana, entre outras, continuará ajudando os agricultores a resistirem diante de novas crises.

Texto publicado na 15ª edição do Jornal Muvucando, desenvolvido pelo Instituto Ouro Verde

Por Sara Caioni, Anderson Camargo, Francis Araújo, Fernanda Silva, Carolina Ruedell e Marla Weihs

Autor
Instituto Ouro Verde

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