Publicado 10 Out

IDESAM

Café Apuí Agroflorestal avança rumo à certificação orgânica

Leitura de 4 min

O processo conta com apoio da Rede Maniva, movimento social que une agricultores e organizações no fomento à agroecologia no Amazonas

Após a bem sucedida auditoria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a Rede Maniva de Agroecologia do AM avançou em mais um importante passo para alcançar a certificação orgânica do Café Apuí Agroflorestal e de outros produtos amazônicos. Realizada no final de setembro, a auditoria confirma a capacidade do Sistema Participativo de Garantia (SPG) Maniva em certificar os produtores. Com isso, a expectativa é que o Café Apuí com selo de Produto Orgânico seja lançado em até dezembro deste ano.

Com diversos benefícios aos produtores, incluindo o acesso a novos mercados, o processo de certificação orgânica é conduzido por meio do SPG, formado pela Rede Maniva, da qual o Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia) participa da coordenação.

A pesquisadora do Idesam e uma das coordenadoras da Rede Maniva, Marina Yasbek, explica que a certificação participativa promovida pelo SPG é fruto de uma política criada e consolidada no Brasil, mas que hoje é difundida no mundo todo, como um mecanismo que vai de encontro à realidade e necessidades dos agricultores familiares.

“Os agricultores podem manejar a certificação em grupos, excluindo a necessidade de um auditor externo, o que representaria um custo anual ao agricultor. Isso para uma família ribeirinha, por exemplo, se torna inacessível. Esse sistema participativo dá a chance das cadeias produtivas da sociobiodiversidade ganharem o mundo de fato”, ressalta Yasbek.

Além de tornar mais acessível algo que poderia ter um alto custo ao agricultor, com o sistema de certificação participativa, os produtores recebem constantemente capacitações, apoio de técnicos, um acesso maior a consumidores interessados pelo seu produto e a participação nas feiras organizadas.

A Rede Maniva já realizou a certificação de orgânicos, no entanto, apenas de hortifrúti para venda direta. Portanto, o Café Apuí Agroflorestal será o primeiro produto beneficiado certificado como orgânico pela rede, que ainda possui nos planos certificar outros produtos beneficiados por associações parceiras, como o chocolate, mel, castanha, a pimenta baniwa e óleos extraídos de árvores.

Na avaliação de Yasbek, essa certificação será um ponto de guinada para o Café Apuí, já que todas as projeções feitas com os produtores apontam para um aumento de renda, com o acesso ao mercado de orgânicos. “Isso vai trazer um estímulo a outros produtores fazerem a conversão para a produção orgânica, além de possibilitar um aumento de escala na produção do café. Essa expansão em Apuí também representaria um maior combate ao desmatamento e a difusão de um sistema produtivo viável e que conserve o meio ambiente”, reforça Yasbek. .

Para o representante comercial e responsável pelo marketing do Café Apuí Agroflorestal, Jonatas Machado, a certificação orgânica é muito importante para as vendas do produto, já que outros mercados externos são extremamente exigentes neste quesito. “A certificação nos traz uma segurança de que vamos conseguir novos mercados, onde atualmente apenas produtos com o selo de orgânico conseguem entrar. Ainda temos uma produção em pequena escala, mas, após esse primeiro resultado, pretendemos aumentar escala, alcançando outros Estados e até mesmo outros países”, completa Machado.

Sobre a Rede Maniva de Agroecologia

No Amazonas, a Rede Maniva é um movimento social que nasceu em 2007 e que agrega agricultores e pessoas de várias organizações públicas e privadas, no fomento à agroecologia e produção orgânica, buscando oferecer aos produtores uma alternativa de menor custo e maior controle social para acesso à produção orgânica.

A Rede Maniva é composta por cerca de 30 instituições, incluindo organizações da sociedade civil, órgãos do poder público, movimentos sociais, associações e cooperativas de base. A Rede conta com a participação de produtores dos municípios da Região Metropolitana de Manaus, de São Gabriel da Cachoeira, Tefé, Maués, Parintins, Apuí e Novo Airão.

Atualmente, a falta de assistência técnica ainda é um dos principais entraves para a conversão de produtores tradicionais para a produção orgânica, que não se limita à simples troca do adubo químico pelo esterco. Para uma conversão bem sucedida, o produtor precisa ser minimamente organizado, possuir as ferramentas na mão para conseguir fazer o controle da sua produção e estar apto a prestar contas ao governo anualmente, no caso da certificação orgânica. É justamente na resolução desses entraves que a Rede Maniva de Agroecologia atua, auxiliando as famílias produtoras não só nas questões técnicas, mas também burocráticas.

Texto: Henrique Saunier

Imagem: Arquivo Idesam

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IDESAM

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