Publicado 01 Out

IDESAM

Idesam incentiva cadeia de Óleo de Copaíba em comunidades ribeirinhas de Apuí (AM)

Leitura de 5 min

Iniciativa foi selecionada para receber apoio por meio do edital ‘Floresta em Pé’

Nascido em Novo Aripuanã (AM) — mais especificamente no Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Aripuanã Guariba — Jessé da Silva, 28 anos, sempre acompanhou junto com seus irmãos as empreitadas do pai para extração de óleo de copaíba e castanha. Senhor Oraldino, conhecido na região como Branco, levava Jessé e toda a família para ficar um mês inteiro na floresta em busca de óleo de copaíba, para, no fim das contas deixar sua produção nas mãos do atravessador local.

Este é o cenário que hoje Jessé busca mudar, como um dos parceiros locais no Projeto de Fomento ao Beneficiamento e Comercialização de Óleo de Copaíba. Selecionado no edital Floresta em Pé, promovido pela FAS com apoio do Fundo Amazônia, o projeto gerido pelo Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia) tem por objetivo apoiar grupos de comunitários da região ribeirinha dos rios Aripuanã e Guariba no processo de mapeamento, extração, armazenamento, transporte e comercialização do óleo de Copaíba.

Nesta realidade atual onde o atravessador ainda é uma figura muito presente, o que reduz a margem de lucro dos produtores, Jessé vê a questão como uma oportunidade de criar uma opção a mais aos moradores locais. Os produtores do óleo agora vislumbram um mercado onde eles possam comercializar o óleo de copaíba a um valor maior do que o praticado na região atualmente.

As ações iniciaram em março de 2018, com reuniões de nivelamento técnico e mapeamento participativo das áreas de coleta e inventário amostral para o levantamento do potencial produtivo de copaíba nessa região. Também já foram distribuídos kits de Equipamento de Proteção Individual (EPI), a fim de assegurar boas condições de trabalho aos extratores.

O projeto trabalha com 10 famílias em seis diferentes comunidades. Esse número tende aumentar, já que a atividade extrativista é comum na região e garante a geração de renda para muitas famílias do assentamento, conforme aponta Ramom Morato, coordenador do Programa de Produção Rural Sustentável (PPRS) do Idesam e um dos responsáveis pelo projeto.

Os benefícios serão sentidos principalmente por pessoas como Paulo Afonso Ferreira, de 41 anos, dos quais mais de 30 dedica à atividade de extração de óleos. Assim como Jessé, o ofício vem de família, aprendido com o pai, que era seringueiro. Residindo na região há mais de 20 anos, ele também começou como seringueiro, mas migrou para a extração do óleo com a desvalorização da borracha no mercado e agora vê no projeto uma nova oportunidade de valorização da atividade.

O Idesam iniciou sua atuação no Aripuanã Guariba através de uma chamada pública do Incra para assistência técnica em 11 assentamentos, quando percebeu o potencial local da cadeia de copaíba. “Percebemos as fragilidades existentes na cadeia produtiva, bem como os baixos preços pagos aos extrativistas. Historicamente, a região é reconhecida como grande fornecedora de matéria-prima de produtos florestais não madeireiros”, explica Morato.

Mercado

Mesmo com a crise econômica, o setor de cosméticos e fragrâncias demonstra resultados positivos e de crescimento, tornando os óleos vegetais da Amazônia produtos de grande demanda tanto por empresas de produtos finais como de consumidores. É aí que o óleo de copaíba entra, com seu poder de penetração no mercado, aliado ao baixo custo de produção, quando comparado a outros óleos que necessitam de maquinários para extração.

Além de já prospectar mercados para o produto em feiras e revendedores em São Paulo e Rio de Janeiro, o Idesam também projeta inserir o óleo de copaíba em empresas de fragrâncias de pequeno e médio porte, nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, sem contar as grandes indústrias brasileiras.

Com esse mercado em vista, é esperada uma produção de 1,2 mil litros de óleo de copaíba, que serão comercializados em frascos de 30 mililitros até galões de 50 litros. Em 18 meses de atividade, o empreendimento dos comunitários possui estimativa de faturamento de R$40 mil.

Para Ramom Morato, a profissionalização da atividade e a organização social que favorece o acesso a mercados diferenciados e a valorização da atividade de forma sustentável são os principais impactos esperados nas comunidades atendidas. “O acesso às politicas públicas existentes para agricultura familiar e a diversificação da produção é a outra frente que caminha junto com os objetivos do projeto”, completa.

Atualmente, o Idesam trabalha na estruturação da associação local em Apuí. Além desta iniciativa, a cadeia de óleos nobres da Amazônia também é contemplada via Projeto Cidades Florestais, que pretende criar uma usina de beneficiamento de óleos vegetais, como andiroba, patauá, buriti, castanha, entre outros potenciais identificados na região.

Por Henrique Saunier

Leia mais em: https://idesam.org/

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